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Review by Ericson Miguel

High Tension 2003

Dado o fim, nota-se que Aja tinha as melhores das intensões para esse filme, mas acontece que o saldo final, bagunçado, não o deixa chegar perto dessas pretensões.

Ele funciona perfeitamente bem por um lado, já que, sendo um Terror componente do (velho) ~Novo Extremismo Francês~, é dotado de tudo aquilo que o movimento requer: protagonismo feminino, pouca encheção de linguiça, dinamicidade e, claro, um splatter bem apurado. E é até interessante notar como o Aja se esforça pra se comunicar com o espectador, lançando luz sobre o final, ainda no decorrer do filme.

Como exemplo, observemos a sequência em que Marie está seguindo o carro do assassino: nela, um dos planos escolhidos por Aja pra compor aquela situação é justamente um close-up frontal em Marie dentro do carro, onde se pode observar que metade do rosto dela está iluminado, enquanto a outra metade está coberta por sombras, enegrecida. Luz e Escuridão, Bem e Mal, deu pra entender? Pois é. Essa foi uma das formas que o filme encontrou para fazer alusão, já à caminho do final, ao fato de Marie possuir o afamado transtorno dissociativo de identidade, que acaba por se revelar no fim do filme.

Bem bacana, não? Eu achei. Só que aí vem o outro lado da coisa – tão, ou mais, importante do que o restante: o texto do filme (substancialmente composto de descrição de situações, dado o número reduzido de falas – o que não é um problema automático, é claro) deixa tantas coisas em aberto, mal explicadas, que a conclusão acaba ficando desamparada, sabe? E isso faz a esperada profundidade psicológica dele soar mais do que forçada. Daí, a dificuldade de muita gente em digerir o final; é de se entender.

Podaria, sim, ter sido melhor (inclusive, se minha namorada não tivesse me spoileado o grand finale), mas, como entretenimento, a franqueza cabe aqui: até que Alta Tensão funciona bem.

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